Relacionamento > Diferencial para o amanhã

Presumo não haver dúvida sobre o fato de que o relacionamento sempre foi um fator estratégico e diferencial para os resultados.

Mas, respeitando o título, afirmo que a importância do relacionamento tem se tornado cada vez maior a ponto de poder concluir que será diferencial para o enfrentamento de nossas necessidades no amanhã.

Que amanhã é esse?

Estou me referindo á mudanças marcantes do nosso ambiente organizacional em geral, tanto por força do avanço da tecnologia como ao maior acesso dos colaboradores ás informações.

Vamos explorar um pouco algumas dessas características e seus desdobramentos:

  • Característica – A forte influencia da tecnologia em forma de robotização, IA, Big Data, mecanização de rotinas e procedimentos repetitivos, substituem várias atividades e algumas profissões.
    • Esses novos recursos facilitarão sobremaneira o levantamento de dados, mas também se pode concluir que a decisão continuará restrita á um pequeno contingente de profissionais, mesmo que se trabalhe em equipes. As informações, no entanto, poderão estar acessíveis, mas a condução da estratégia ainda será uma ação solitária, mesmo que com o apoio de muitos.
    • Tudo bem, não é muito diferente de hoje, mas como engajar os novos profissionais com um expressivo aumento de escolaridade e acesso ás informações, que não farão uso das suas capacidades de análise e decisão? Precisaremos encontrar “espaço” para esse enorme potencial ou corremos sério risco de frustrá-los.
  • Característica – O incremento da tecnologia de comunicação facilitando a relação virtual e online de forma extremamente descentralizada (“tudo na palma da mão”) facilita o acesso ás informações, mas não substitui o contato pessoal.
    • Este é um fator crítico. A conectividade total é inevitável. Mas reforço que não substitui o contato pessoal (por vezes atrapalha). As facilidades da comunicação digital foram previstas para resolver as questões das comunicações á distancia, não com a pessoa ao meu lado. Já podemos perceber hoje dificuldades para o estabelecimento de um contato pessoal.
    • Somando esses fatores podemos depreender maiores dificuldades na administração de questões emocionais e, até, psicológicas entre os nossos colaboradores. Não é surpresa constatarmos que a incidência de casos de depressão apresenta forte crescimento. E a liderança não está preparada para essa empreitada.
  • Característica – A nova relação organizacional tornará os níveis hierárquicos mais flexíveis para aproveitar o conhecimento mais abrangente da população interna exigindo forte atuação em equipes.
    • A dinâmica organizacional de trabalhos em equipes exigirá perfis profissionais onde a negociação e a maturidade fará parte imprescindível de qualquer função. Sem falar nos casos, já muito comuns, de equipes onde o gerente participa sob o comando de um de seus subordinados.  Afinal, o conhecimento será prevalente sobre a hierarquia. O conhecimento será o fator de diferenciação, acima do tempo de casa e da experiência.
  • Característica – Conflitos serão mais frequentes por conta da crescente necessidade da troca de informações e da análise conjunta para as melhores soluções. Os conflitos, portanto, serão muito benvindos se estiverem atrelados á uma busca de alternativas e soluções. Eles, os conflitos, são sempre necessários para o desenvolvimento.
    • No entanto, a comunicação virtual tem um lado que parece “proteger” quem a utiliza. É  mais “segura e protetora” de forma que, muitas vezes, pode-se querer “fugir” do confronto pessoal e direto. Evidente que pode se tornar em uma “armadilha” onde a interpretação e a sensibilidade do outro causará maior distanciamento. Esse é um enorme desafio para o futuro do relacionamento. Até porque conflitos não se resolvem com distanciamento (eles só aumentam).
  • Característica – E para não me alongar muito finalizo com a crescente preocupação das empresas com a comunidade, incluindo metas sociais (fazer bem fazendo o bem) e a criação de ambientes “agradáveis”.
    • Há claro movimento nesse sentido, tanto por força de propósitos quanto da relação com a comunidade em geral. Nesse sentido retoma-se o conceito de “empresa feliz”. No entanto, muitos empresários não acreditam que uma empresa feliz é mais produtiva. Mas, o que é uma empresa feliz? Afinal, o que é ser feliz sem ter desafios, dificuldade a vencer e metas a serem alcançadas e conquistadas? O ambiente empresarial não é um ambiente de lazer. Sem dúvida preciso ter satisfação em trabalhar nessa empresa porque reconhecem o meu esforço (então tenho que fazer esforço), me dão responsabilidades (preciso assumir), me exigem melhorar (preciso querer melhorar) e, finalmente, acreditam em mim. Esse é o ambiente que propicia desenvolvimento. Sem dúvida então, o reconhecimento é a “pedra de toque” para reforçar a satisfação e a produtividade. Que precisará ser sempre exigida.

A tríade: genética, nanotecnologia e robótica poderá ser um avanço, mas não substituirá. Autômatos são substituíveis. Temos que colocar nossos maiores esforços no desenvolvimento das relações pessoais.

O assunto é extenso e extremamente importante e, por isso, voltarei a trata-lo em outros textos.

Obs. Estes são alguns pontos que apresentamos em nosso Workshop de Relacionamento e Gestão de Conflitos.

Bernardo Leite

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