Breve reflexão sobre o poder nas organizações empresariais

·A prática do poder não é uma posse nem um produto da autoridade.

A prática do poder é inerente aos atos humanos. Como tal, é trivial e cotidiano (vejam o comportamento de motoristas no trânsito, disputando prioridades e vantagens).

·O poder é político e é política, assim como a política é a transação do poder.

·O poder não existe por si só. Ele é instituído porque não há poderes equilibrados, há sim poderes negociados. Então, o verdadeiro poder consiste em aceitar-se o poder no outro e do outro.

·O poder difere da competição no sentido de que a competição tem um fim objetivo e o poder tem um fim em si mesmo.

· Nas organizações, como qualquer outra atitude tradicional, o poder é ferramenta de trabalho. Portanto, não é mal por essência. Pode sê-lo por uso.

Hannah Arendt tem uma frase notável sobre essa questão: Quando a necessidade substitui a verdade, o mal se torna banal!

Participei da coordenação técnica da pesquisa sobre: O tratamento do luto nas organizações empresariais e uma constatação que faço sobre a dificuldade de se tratar desse assunto é que: “A empresa é o palco do poder e a morte é a constatação da falta de poder!”.

A própria administração das diferenças é a administração do poder. E a administração das diferenças está inclusa no cotidiano das transações organizacionais para o resultado global.

·Portanto, a organização é, também, o palco da relação de poder, até porque ela incentiva a busca pelo poder.

· Como uma causa disfuncional, a insegurança promove a ansiedade pelo poder, e o anseio pelo poder gera desconfiança, suspeitas, ciúmes e, enfim, insegurança, gerando um ciclo vicioso. Isso ocorre com relativa frequência.

· Isso quer dizer que as relações de poder e suas manifestações podem culminar por ocasionar sensações paranoicas. Sem dúvida tem forte base psicológica.

· Em suma, o poder tem múltiplas faces!

Uma forma de entender as múltiplas faces do poder é observar algumas das diferentes posturas frente ao poder:

Premissa inicial: na organização familiar, o empresário é o centro do poder. Esse poder é, muitas vezes, fortalecido pelo distanciamento que o empreendedor mantém da estrutura, e pela impositividade do seu estilo de comando. Essa impositividade não precisa, necessariamente, ser agressiva. Algumas vezes, ela se faz por meio de uma ação de convencimento, como que para dar uma “roupagem” participativa à gestão, mas é apenas uma impressão de participação.

O empresário centraliza o poder, distribui e institui poderes na estrutura à sua conveniência, independente de competências e da hierarquia. Diria que é um controle com enfoque, por vezes, maquiavélico.

Já na empresa multinacional de grande porte, o poder é descentralizado e muitas vezes disperso e difuso. A estrutura da empresa, com poder outorgado, disputa influência com a ação da matriz, que em diversas situações torna-se bastante presente.

De maneira convencional, vamos analisar algumas dessas diferentes posturas de poder, ou melhor, influência do poder, que não estão agregadas ao cargo:

O poder por influência pessoal: é conseguido por meio do contato próximo e de confiança. É característico de cargos de apoio e assessoria.

O poder por contágio: estar constantemente entre os poderosos conviver com eles fora da empresa, mesmo sendo subserviente (ou até por isso), quase sempre ser visto próximo aos poderosos pode não dar poder, mas fornece status. E, eventualmente, privilégios.

O poder masoquista: “Hoje levei uma bronca!” é uma frase muito comum e também quer dizer que o “chefe fala com ele” e incomoda-se com ele. Pelo menos ele não está esquecido. Neste caso, o esquecimento é imperdoável. De repente, levar bronca é estar, de alguma forma, perto do poder. Veja mais sobre isso no capítulo: Nem aplausos sem vaias. Um silêncio de morte.

O poder por conveniência: quando por algum motivo o empresário quer desequilibrar o poder de um dos executivos é comum “passar por cima” do executivo e começar a contatar diretamente o subordinado (famoso by pass). Esse subordinado assume uma posição de poder (sempre temporário). E isso é muito comum.

O poder por relação: característico dos amigos de infância ou da família que trabalham na empresa (“é quase da família!”). É um poder de ameaça, pois dificilmente pode ser exercido.

O poder pelo “serviço”: o funcionário torna-se um “assistente” para as questões pessoais, normalmente particulares do empresário. A postura é frequentemente subserviente. A prioridade torna-se o pessoal e não o profissional.

O poder pela técnica: refere-se ao especialista, meio “geniozinho”, meio insubstituível. Situação que se mal administrada pode trazer consequências negativas para o funcionário e para a empresa.

O poder pela informação privilegiada: típico das funções que se dedicam a manter dados sob seu controle. São posições de muito poder

Bem, queria apenas dar ao poder o destaque que merece como tema de enorme importância no estudo das organizações. Temos consciência da extrema superficialidade com que tratamos o assunto, mas esperamos que, de alguma maneira, possamos ter contribuído para uma melhor compreensão do comportamento organizacional e de todas as suas personagens, notadamente o empresário, esse herói nem sempre desconhecido, mas, na maioria das vezes, um pouco incompreendido.

H – Porém a maior força ainda é a do poder hierárquico, ou seja, manda quem pode, obedece quem tem juízo. Ou hoje não funciona assim Bernardo?

Sem dúvida que funciona assim Halter. O poder hierárquico não foi e nem será abolido. Diria apenas que perde um pouco da sua impositividade por razões da enorme diversidade de conhecimentos, informações, novas tecnologias e visões que o mundo atual exige.

A complexidade e o nível de informação aumentam sensivelmente e, por isso, é necessário estar-se aberto ás contribuições da equipe e dos pares, de forma geral. As novas estruturas caminham, seguramente, para uma relação mais constante e fluida das diversas especialidades na estrutura, inclusive com o apoio da tecnologia que fornece as ferramentas. Veja mais detalhes sobre essa situação no capítulo: Precisamos da Liderança?

Nossa expectativa dirige-se a propiciar uma análise mais reflexiva sobre a empresa e dar início a uma discussão mais ampla e profunda sobre um tema imensamente importante para todos nós.

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