Olá, eu estou aqui!

OLÁ, EU ESTOU AQUI!

Este título é um apelo à individualidade. Porque é isso que somos, indivíduos, únicos e, ao mesmo tempo globais e universais. E somos frutos de uma evolução contínua e gradativa. Por vezes bem gradativa, com avanços e eventuais recuos.

Paralelamente a nossa produção intelectual é pródiga e transformadora e, além das artes que nos é própria, a tecnologia também é fruto de rápido desenvolvimento que nos afeta muito diretamente. Aliás, mais do que diretamente, poderíamos dizer, ameaçadoramente direta.

Isso porque há diferenças excepcionais entre o ritmo de evolução da humanidade enquanto comportamento e a evolução da tecnologia em si. A lei de Moore, por exemplo (capacidade de o microchip dobrar a cada dois anos), é uma manifestação concreta dessa desigualdade de ritmo. A tecnologia sempre foi, durante toda a vida do planeta, um ponto de inflexão, mas, acima de tudo, a tecnologia se retroalimenta e evolui por conta própria, em ritmo crescente!

E isso nos coloca de frente com o fato de que em todo processo de mudanças há sempre grandes ganhos e muitos cuidados com as consequências. E a consequência de maior preocupação, no meu ponto de vista, refere–se ao fator humano como resultado das mudanças em curso. Sim, em curso, sem sombra de dúvida.

Tudo nos impulsiona a fugir da nossa própria natureza humana de: Entender (pensar) / Refletir (relacionar) / Sentir (abrir-se) / Projetar (vislumbrar alternativas), em contraposição à Rapidez / Facilidade / Imediatismo e Descartável que nos pressiona, nos aproximando da chamada Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman. Um mundo líquido, isto é, tudo é mais passageiro, instável como: carreiras, famílias, hierarquias e, infelizmente, relacionamentos, valores, comprometimentos, afetos.

Estamos de frente com uma revolução digital. Os meios de comunicação, produção e informação sofrem grandes mudanças. Além da interconectividade global, da produção automatizada com a inteligência artificial teremos acessos a informações abrangentes. Essa situação irá modificar algumas relações, principalmente na área de negócios. Por exemplo, com o nível de informação disponível é perfeitamente possível que o comprador poderá vir a ter mais informações sobre o produto que o próprio vendedor. Como iremos entender e contracenar com essa situação é que definirá se é uma oportunidade ou uma ameaça.

Para Daniel Kahneman economista israelense, Prêmio Nobel de 2002, nós estamos despreparados para a forma como a inteligência artificial vai penetrar no mundo a médio prazo. Além disso, segundo ele, a pandemia da Covid-19 mostrou como a mente humana é despreparada para fazer matemática básica e, com um vírus capaz de se replicar em progressão geométrica, a situação saiu facilmente do controle.

Por isso, reforço a questão da Gestão de Pessoas dentro da organização. Notadamente por conta das restrições para o combate à pandemia, a adoção de modelos virtuais traz efeitos que ainda precisam ser analisados com cuidado.

Home office é atraente? Diria que sim, praticamente de forma unanime. Pelo menos por enquanto. Ainda não temos resultados de médio e longo prazos. Mas há vantagens concretas.  Para a organização menor despesa, para o colaborador menor deslocamento e maior presença na família, por exemplo.

Mas há problemas? Afirmo, sem dúvida que sim! E ressalto que são problemas que deverão se intensificar.

Em princípio: “A solidão é viciante. Quando você se dá conta da paz que existe nela, não quer mais lidar com pessoas. Carl Gustav Jung. ”  O que pode significar não lidar com pessoas?

Nós, seres humanos, somos dependentes de atenção. Precisamos ser notados, de alguma forma. Lembro-me de uma passagem de infância quando um amigo me disse: “Tenho inveja de você” Fiquei preocupado e perguntei: “Por que? ” Ele me respondeu, com alguma tristeza no olhar: “É que sua mãe pega no seu pé”. Pois é. Sei que nem todos somos assim, mas pode ser que uma boa parcela da população sinta isso.

E porque estamos tratando disso aqui? É porque a evolução da tecnologia, principalmente de comunicação, é uma revolução maravilhosa que nos traz inúmeros benefícios, mas afasta as pessoas. As vezes as torna invisíveis.

Por exemplo, nas nossas reuniões virtuais, nas nossas empresas, devemos manter a câmera aberta ou fechada? Deve-se levar em conta o direito à privacidade de cada um, ou a apresentação pessoal deve ser mantida em respeito aos outros? As empresas devem tomar partido nesse caso? O líder precisar ver o colaborador? Perguntinha chata né?

Ah, mas no home office trabalho menos! Quantas reuniões virtuais fazemos por dia? Há horário definido? É possível uma reunião durante o horário de almoço? Bem, não vou perguntar para não constranger. Lembrem-se de que o movimento de negócios, nas organizações não é vertical, é horizontal. Não faço o meu trabalho e acabou. A inter-relação é determinante.

E porque os colaboradores não colocam limites nessas questões. Será que é por receio de perder o benefício do home office? Ou perder mais do que isso?

Até porque muitos empregos serão assumidos pela tecnologia.

A própria área de decisão cede espaços para a tecnologia. Afinal a análise de dados predispõe a melhor solução de maneira indiscutível. Em suma, não decido, é o sistema que decide. Você já ouviu isso: o sistema não permite! Você passa a ter menor importância na comparação.

Pois é: “Para abater um homem, para castigá-lo com o mais horrível castigo, um castigo que metesse medo e fizesse tremer antecipadamente o criminoso mais valente, não precisava senão de dar ao seu trabalho o caráter de uma inutilidade total e absoluta carência de sentido.

Fiódor Dostoiévski, Memórias da Casa dos Mortos”.

Isso sem contar que a formação educacional deve tornar-se ainda mais abrangente e profunda. Para que?

E então procuramos uma “válvula de escape”, um mecanismo de compensação psicológica e surge a mídia social. Nela eu posso ser o que eu desejo. E a primeira constatação é de que a felicidade é um direito que eu tenho. Não é uma conquista. Eu quero!

E aí surgem os “idiotas da aldeia” conforme Humberto Eco mencionou quando recebeu, em Turim, o título de Doutor Honoris Causa, em 2015: “O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade. Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel. Antes, os idiotas da aldeia tinham direito à palavra em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”.

E isso reforça o “mundo líquido”, urgente, imediato, sem profundidade e consistência onde há uma multidão de especialistas, em tudo, sem……

No ambiente organizacional esse desafio ganha forte destaque. Por exemplo, a questão de que a aprendizagem é um fenômeno coletivo é determinante para o sucesso das organizações.

Para constar, “Maturana e Varela afirmam que: relacionamento e aprendizagem envolvem aprender os contextos da vida e precisam ser tratados como um espaço de interação entre duas pessoas”.

A Gestão de Pessoas está de frente com um formidável desafio de resgate da humanização em geral, que não passa, apenas, pelo suporte, mas também pelo reconhecimento pessoal.

Há pouco tempo falamos sobre a Era do Reconhecimento como uma resposta e uma força de resistência à tendência da desumanização dos ambientes profissionais, porque é necessário manter-se essa iniciativa, principalmente na visão de RH.

E é determinante manter uma visão otimista em relação ao futuro. Há estudos, como a

Meta 8 do Objetivo 8 da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável para promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e para emprego pleno e produtivo com trabalho decente para todos.

Por outro lado, ainda temos muito a caminhar para o nosso desenvolvimento. Só precisamos buscar novas alternativas muito mais para dentro de nós do que para fora. Fugir das ilusões do mercado, na visibilidade, na aparência dos egos. Teremos que enfrentar de boa vontade essas questões cruciais para o desenvolvimento da nossa civilização, ou seremos forçados a isso. Ou não dará tempo.

Olá, eu estou aqui!

Bernardo Leite

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