Os vários papéis que interpretamos no dia a dia.

O título parece fazer referencia á figura de ator, onde as “personas” (máscaras usadas no teatro grego) se multiplicam em razão das diferentes necessidades de adaptação social no meio em que vivemos. Mas as “personas” não pressupõe a multiplicidade de personalidades e sim de comportamentos.
Indiscutivelmente somos forçados a manter diferentes comportamentos em diferentes graus de exigência social. Não podemos nos comportar de mesma maneira em todos os ambientes.
Esse é um fator de adaptação, característica essencial e diferencial da raça humana, que tem efetiva responsabilidade pela perpetuidade da espécie.
Então, exercemos uma ação de adaptação que podemos chamar de “efeito camaleão”, isto é, nos tornamos parecidos com o meio em que estamos.
Por exemplo: no ambiente profissional nos é exigido maior concentração, foco e, na maior parte dos casos, certa contenção de ânimo e sociabilidade.
Se estamos entre amigos adotamos, normalmente, um comportamento mais descontraído e, até, brincalhão. Por vezes pessoas que nos conhecem em um desses ambientes estranham o nosso comportamento no outro ambiente.
Na família podemos ser mais autênticos. E assim em outros ambientes em nome da necessidade de adaptação e aceitação. Sim este é outro componente, a aceitação. Frequentemente nos comportamos de forma a sermos aceitos pelas personagens de um determinado ambiente. Isso é, jogamos o jogo.
E então, quem somos? E como está a nossa aceitação de nós mesmos?
Sem dúvida não temos várias personalidades (pelo menos não normalmente).
Somos, sempre, a mesma pessoa. Essa constatação é determinante para que possamos interpretar vários papéis no “teatro da vida”, mantendo nossos princípios e valores que estabelecem nossa individualidade. Essa consciência, mesmo com a necessidade de adaptação aos diferentes ambientes, nos permite manter a coerência e a firmeza para enfrentar adversidades. Esse é um ponto fundamental na aceitação da nossa individualidade e, como é esperado, de nossas qualidades e defeitos. Só poderemos assumir uma postura mais segura e objetiva se pudermos aceitar-nos. Afinal, conhecer necessidades é o primeiro passo para o desenvolvimento.

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