Conhecimento, poder e a organização…

Estas três palavras convivem juntas há muito tempo, sofrendo mutações, interferências uma das outras, mas sempre procurando manter o equilíbrio.

Hoje elas são protagonistas de uma revolução! Uma revolução silenciosa, que tem passado despercebida por muitos.

As mudanças provenientes dessa inter-relação de forças e influências têm provocado enfoques diferentes gerando comportamentos também diversos.

A Organização é o palco do Poder, que por sua vez empresta à Organização o sentido de orientação, disciplina, e ordem. E o Conhecimento é um dos componentes mais importantes do Poder, muitas vezes se constituindo em uma de suas essências.

Dessa forma esses três fatores tem tentado manter esse equilíbrio estável.

Nos últimos tempos, no entanto, uma mudança de enfoque tem provocado um desvio que pode alterar substancialmente a relação entre eles.

O conhecimento, como fonte do poder, já foi a própria condição básica de acesso a níveis hierárquicos diferenciados. Para assumir-se uma função de chefia era exigido deter conhecimento que diferenciasse o profissional em questão. Era requisito para o cargo.

Hoje, porém há uma afirmação que posso fazer sem muitos questionamentos: a afirmação é “que é muito significativa a quantidade de profissionais que detém mais conhecimento específico do que os seus chefes”. E aí, como fica esta questão? Se concordarmos que Conhecimento sempre foi um dos componentes do Poder, como fica essa relação, hoje, dentro das Organizações? Pode estar mudando!

Algumas causas importantes deste fato podem referir-se a:
O conhecimento passa a ser entendido como fator agregador de valor aos objetivos da Organização e, portanto, como vantagem competitiva do negócio, extrapolando a questão dos níveis hierárquicos.

O mercado de trabalho, cada vez mais exigente, tem provocado uma superestimação da preparação dos profissionais obrigando-os a fortalecer objetivamente a formação (cursos de Pós-Graduação e MBA’s tem sido vistos como obrigatórios, hoje em dia).

A internacionalização, derivada da globalização, também tem exigido a fluência em mais do que um idioma, na verdade mais do que dois, privilegiando esse conhecimento, principalmente para os profissionais que se preparam para o mercado de trabalho.

A democratização do conhecimento tem permitido que, via internet ou outros meios facilitadores de acesso, ocorra um grande desenvolvimento do nível e quantidade de informação que alcança os profissionais, principalmente aqueles com mais disponibilidade, ou muito necessitados desse conhecimento. Isso em todos os níveis!

O ritmo do desenvolvimento tecnológico e/ou o crescente aumento dos níveis de competitividade do mercado tem sido realizados em velocidade maior do grande parte da massa de trabalhadores pode acompanhar. Ou, se quiserem mais objetividade, tem sido realizado em velocidade maior do que a maioria dos nossos chefes, supervisores e gerentes, extremamente preocupados com o dia-a-dia do trabalho e das exigências do negócio, podem dispor e acompanhar. Daí decorre as iniciativas de Educação e Universidades Coorporativas como uma tentativa de minimizar esta distancia.

De outro lado, a própria Organização também tem enfrentado e provocado algumas alterações na sua estrutura de poder X nível hierárquico X conhecimento, com suas iniciativas de implementações de trabalhos em equipes multifuncionais, células, comissões de trabalho, gestão por competência e toda uma gama, bastante ampla, de diversificação da atividade profissional do seu quadro de colaboradores, em todos os níveis.

Em suma, desenha-se um novo quadro que tem sido alimentado por forças que independem da vontade individual ou da estratégia específica de qualquer gestão. São forças do mercado e, por isso, inegáveis, pelo menos na sua importância.

Nos cabe, então, estar atentos. Observar o processo em andamento e influir no melhor equacionamento dessas forças. Talvez mais ainda, teremos que provocar o melhor caminho.

Mas por enquanto pretendo que tenhamos consciência desses movimentos e iniciemos uma discussão objetiva sobre algo que pode significar uma revolução nas estruturas e na própria condução dos negócios em direção aos resultados.

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