A Queda da Pirâmide

O designer piramidal para identificar a empresa sempre foi muito didático, porque explicava com clareza a dimensão quantitativa dos diversos níveis organizacionais. Menor quantidade de pessoas no topo e maior quantidade na base da pirâmide.
Mas nada mais do que isso! E o pior, ainda representa algumas disfunções tradicionais das empresas em geral, como por exemplo: a prioridade da comunicação vertical em detrimento da comunicação horizontal; a estratificação hierárquica; a divisão departamental, especialista e discriminatória e, principalmente, a perda da visão de negócios e de sua contribuição aos resultados.
Mas voltemos à pirâmide, que é uma figura geométrica que não consegue ser deitada! Continua a ser uma pirâmide! E sempre passa a impressão da verticalidade (altura, distância).
Tentando analisá-la psicologicamente: deve esconder mistérios insondáveis! Bom, isso é brincadeira. O que é fato é que existe a impressão de verticalidade e de distanciamento que a figura geométrica impõe. Dessa forma, essa impressão também foi emprestada à empresa e, na época em que foi instituída, tinha muita razão de ser. Mas hoje…
A época a que me refiro diz respeito à Revolução Industrial. Sem dúvida, uma revolução para a época e uma solução de gestão absolutamente adequada às circunstâncias. Foi o caminho!
O ingresso no processo industrial, ou seja, a migração do artesão para a linha de produção não era apenas uma questão de raciocínio de processo. Era uma mudança cultural de extensão descomunal. Algo como jogar fora os artistas para substitui-los por profissionais toscos, desajeitados, acostumados mais com a terra. O próprio mercado teria de conviver com outro nível de produto, não mais artesanal. O mercado não mais seria restrito à uma casta elitista que podia comprar.
E assim essa mudança também criou o mercado de consumo, possibilitando-o existir!
E como viabilizar essa nova dimensão de negócios? Como produzir muito mais, ganhar escala, produtividade, manter qualidade aceitável e ganhar dinheiro? Só seria possível como foi feito. Simplificando a atividade pela fragmentação do trabalho, dividindo a tarefa em operações tão simples e detalhadas que até aqueles profissionais toscos, que estavam disponíveis, pudessem fazê-la. Uma pequena orientação e, com a prática, aquele profissional seria um especialista, em, por exemplo: virar o parafuso para a direita. Fazia-o com perfeição e… a vida inteira ( vejam Carlitos – Charlie Chaplin – em Tempos Modernos).
Sem dúvida, a fragmentação e a especialização eram absolutamente necessárias na época e foi mesmo uma Revolução Industrial.
Mudou alguma coisa de lá para cá? Pois é! Dá para imaginar…?
Reconheçamos que a própria reengenharia foi uma boa contestação aos fundamentos da Revolução Industrial nos dias de hoje: a visão de processo, as funções mais globais, envolvendo várias atividades, a aglutinação funcional como contraposição à fragmentação anterior. Em suma, um reconhecimento de que é preciso mudar muito. E vocês poderiam perguntar:
“Por que a reengenharia não foi um grande sucesso?”. Bem, se pedimos às pessoas que peguem uma folha em branco para determinar o que a empresa deve ser, é porque supomos que, no mínimo, as pessoas sabem o que a empresa não deve ser.
Mas será que sabem?
Hoje, sem dúvida, comenta-se que é necessário utilizar o profissional de maneira mais completa, que ele precisa contribuir com sua cabeça também, isto é, precisa pensar.
Como dizem os arautos de RH, os colaboradores das empresas deixam de ser mão-de-obra e passam a ser cabeça-de-obra. É bonito, mas a organização ainda é basicamente a mesma que identificava a grande mudança para a Revolução Industrial.
Será que imaginamos mesmo que as revoluções iniciam-se e ocorrem nos níveis inferiores? E será que defender a mudança de postura na gestão das pessoas sem a mudança na gestão da empresa, isto é, sem uma análise mais global da extensão da mudança, não é uma atitude inconseqüente?
Me parece que só posso mudar alguma coisa e fazê-la se desenvolver mudando o princípio. De outra forma, não é só boa intenção, é inocência também ou falta de análise.
Por isso, como já disse, a pirâmide é uma figura geométrica que se deitada continua sendo uma pirâmide, ou seja, grande esforço para nenhuma mudança. Precisamos pensar em uma mudança real. Que tal um paralelogramo? Será que se configura como uma mudança? É necessário um design da empresa ou é apenas a nossa necessidade de formatar a realidade em algo fixo?
Em suma, por isso caminhamos na criação da Metodologia de Implantação da Rede de Clientes e Fornecedores Internos. É a visão de processo e o foco em negócios que se notabiliza como meio mais adequado para alcance dos resultados organizacionais.

Bernardo Leite Moreira

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